sexta-feira, 3 de abril de 2015

Jesus: fonte de misericórdia


Nasci e cresci em uma família majoritariamente católica. Costumes e crenças que tinham o objetivo de seguir as ~regras~ da Igreja de Cristo, espelhar-se na Sagrada Família e, assim, alcançar a tal vida cristã ideal.

Meus pais sempre me levavam às missas, não abriram mão de colocar eu e minha irmã na Catequese e fazer-nos conhecer a Comunhão. A Páscoa, mais do que todas as datas, era um período especial. Ouvia que a Quaresma era tempo de renovação, de fortalecimento da relação com Jesus e, sobretudo, de misericórdia. Afinal, não há prova de amor maior do que ver o Filho de Deus ser morto em troca da nossa salvação.

Mas, depois de crescido, passei a lidar com algumas dúvidas em relação a tudo isso que me foi pregado. Passei a me questionar sobre algumas incoerências que a vida cristã nos submete. A intolerância, o preconceito e a exclusão - sobretudo em tempos de Páscoa - passou a não bater com a tal misericórdia e o amor que tanto me falavam quando criança. Impressiona-me o comportamento de muitos que se dizem cristãos para com as diferenças da vida. Mais impressionante ainda é ver a disposição da própria igreja (e de grupos ligados à ela) em segregar - mais ainda - os que são diferentes.

Em nome de uma suposta santidade, somos obrigados a manter valores que excluem os que, por vontade própria ou não, não estão inseridos nessa tal perfeição. Refiro-me aos gays, aos usuários de drogas, aos jovens ~infratores~ e a tantas outras parcelas da sociedade que, em decorrência dessa premissa hipócrita sustentada pela própria igreja, são marginalizados. Valores estes que cassam os direitos dos homossexuais, por exemplo, de terem uma vida religiosa e de serem felizes com quem bem entenderem.

Pergunto-me se um representante da alta cúpula da Igreja Católica de São Paulo não tem nada mais importante para se engajar do que fomentar o boicote à novela Babilônia, da Rede Globo, só pelo fato de a trama explicitar o amor de duas mulheres, como fez o cardeal arcebispo paulista D. Odilo Scherer, no Twitter, na semana passada. Onde está a compaixão tão citada nos sermões das missas de Domingo de Páscoa?

Não coloco toda essa incoerência e intolerância na conta da sociedade. É claro que a falta de informação e a ignorância alimentam todo tipo de preconceito e impedem que as pessoas enxerguem o mundo com outros olhos. Mas, como a Páscoa também é tempo de esperança, esperamos que a liderança do Papa Francisco supere esses obstáculos e ajude-nos a eliminar toda essa incoerência.

Hosana nas alturas!

Foto: MorgueFile